Duas irmãs

Pensa numa pessoa que domina a arte do suspense e das histórias de crime. Anote aí: Mo Hayder. Essa britânica, de quem já tinha lido Tokio, é mestre em escrever histórias macabras e muito bem costuradas.

Em Hanging Hill, ela conta a história de duas irmãs cheias de traumas e separadas pelos próprios pais que acabam se reencontrando por conta de um crime: o assassinato bárbaro de uma adolescente.

Sally é a dona de casa boazinha e rica que se vê subitamente abandonada pelo marido e tendo que trabalhar como faxineira para sobreviver. A menina assassinada era amiga de sua filha.

Zöe é uma policial competente, independente, que viajou pelo mundo sozinha numa motocicleta, e está investigando o crime.

Depois de décadas sem se verem, apesar de morarem ambas na pequena Bath, elas acabam se vendo obrigadas e resolverem uma situação complicadíssima juntas. Questão de vida ou morte.

A autora escreve capítulos curtos, cheios de ação e suspense, mas nem por isso constrói personagens superficiais. Essa história tem tantas reviravoltas que consegue mudar tudo faltando apenas 5 páginas para acabar.

Não perca, se tiver oportunidade de ler. E guarde esse nome: Mo Hayder.

O povo contra o PPT: será que o curso vale a pena?

Os bastidores

Gente, olha que tudo: eu fui paga para ASSISTIR a um curso sobre como fazer apresentações lindonas! Já pode começar a usar uma camiseta com os dizeres “essa pessoa venceu na vida”?

Peraí que vou contar como foi. O Flávio Reis, sócio da La Gracia, empresa que conheço há anos de São Paulo, me pediu um orçamento para fazer um testemunho de um curso deles (fiquei me sentindo “a influencer“…rs). 

Apesar de conhecer o histórico seríssimo da empresa, fui obrigada a dizer que não faço esse trabalho por um motivo muito simples: se eu não gostar, não consigo fingir. Não tem como prometer falar bem de uma coisa que não sei se vou admirar (e quem me segue sabe como sou chata no último com avaliações).

Minha proposta: como o assunto me interessava, ele poderia liberar o curso para eu fazer. Se gostasse, falaria bem para todo mundo. Se não gostasse, falaria mal, mas só para ele…rs. 

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The power

Imagine o seguinte: num belo dia, uma adolescente descobre que pode gerar choques elétricos só pela força do pensamento; pode criar arcos entre as mãos; pode até eletrocutar alguém, se quiser. Depois de um tempo, todas as mulheres, de todas as idades, passam a ter o mesmo poder. Instigante, não? Pois foi isso que a escritora britânica Naomi Alderman, imaginou e transformou em ficção especulativa.

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Seria você um líder 5.0?

Recebi uma demanda para fazer alguns vídeos sobre o Líder 5.0 (que bom, há empresas que continuam investindo forte na equipe!) e me dei conta que o livro que deu origem ao termo, Good to be Great1, do Jim Collins, já estava na minha lista de resenhas a serem feitas há meses (a pilha só faz crescer!). Bem, não vai ser dessa vez ainda que vou resenhar o livro, pois vamos falar aqui apenas de um dos conceitos apresentados: esse tal de Líder 5.0!

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O QUE FAZER QUANDO AS MÁQUINAS FIZEREM TUDO?

Malcom Frank, Paul Roherig e Ben Pring são três futuristas sócios de uma empresa de consultoria sobre o futuro do trabalho que dedicam suas carreiras a encontrar respostas para a pergunta do título desse artigo. E elas estão muito bem organizadas e fundamentadas no livro “What to do when machines do everything: how o get ahead in a world of AI, algorithms, and big data”. 

Já de início, os autores deixam claro que as perspectivas apresentadas não são para daqui a 25 anos, quando tudo poderá se modificar radicalmente; o trabalho é mais para orientar empresas e profissionais para as ações nos próximos cinco anos, quando ainda é possível fazer planos com algum realismo.

Eles ressaltam que a gente sempre subestima as mudanças que irão ocorrer nos próximos dois anos e superestima as dos próximos dez anos.

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O que um romancista tem a nos dizer sobre ciência

A primeira vez que vi um romance do Ian McEwan foi no cinema, no filme Reparação. Achei-o tão sensível, belo, instigante, que fui procurar outras obras dele (aquela já não dava mais; depois de ver o filme, não consigo ler o livro — minha mente já está contaminada com a visão do diretor).

Então li o belíssimo Na praia que narra um casal em lua de mel e seus silêncios mal entendidos. Depois Solar, na minha opinião o mais genial de todos, em que um ganhador do prêmio Nobel de física vive às custas da fama sem produzir mais nada de útil. Também entrei no cotidiano de um médico neurologista em Sábado, uma estranha família de crianças no Jardim de cimento, meti-me na briga de dois jornalistas em Amsterdam e por último levei um robô humanoide para casa em Máquinas como eu

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O futuro da educação

Por causa da demanda de palestras online, principalmente de empresas da área de educação, venho me dedicando a estudar o assunto com mais cuidado e interesse. 

A questão é que estamos às portas da quarta revolução industrial, e o modelo educacional continua estagnado na segunda.

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O código da cultura

Gostei demais de tudo que aprendi com “The Culture Code: an ingenious way to understand why people around the world live and buy as they do”*, de Clotaire Rapaille. É como se muita coisa que a gente não tinha pensado a fundo passasse a fazer sentido.

Doutor em Psicologia Social, Rapaille desenvolveu um método para descobrir o código de cada conceito dentro de uma cultura para ajudar empresas a comunicarem melhor seus produtos. É um sistema muito semelhante em estrutura que apliquei no meu método Gestão Integrada da Identidade Corporativa. Ele reúne amostras representativas de pessoas no universo que será estudado e faz workshops. Por meio de dinâmicas, ele vai relaxando as pessoas, observando as contradições até encontrar um padrão que traduza, para aquele grupo, a essência do conceito que se está pesquisando. Eu fazia para identidades das empresas; ele aplica para descobrir códigos culturais.

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Sobre ter certezas

O título “On being certain: believing you are right even when you’re not” (Tradução livre: “Sobre ter certezas: acreditando que você está certo mesmo quando não está”) me atraiu logo de cara. Mas confesso que achei a obra do neurologista Robert A. Burton muito chata.

Sabe aqueles livros que poderiam ter sido apenas um bom artigo, mas precisam preencher 250 páginas, então ficam recheados com um monte de histórias intermináveis? Então. Mas se abusa um pouco da paciência do leitor, não chega a  não tira o valor do conteúdo.

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