As origens da frustração

Meu faro não engana. Devia ter prestado mais atenção na minha intuição, mas resolvi ignorar todos os sinais.

Meus principais critérios para escolher livros quase sempre dão certo: capa (sim, sou dessas), título, autor, editora, resenha na quarta capa, nessa ordem. Por que a capa é mais importante? 

Minha teoria (que poucas vezes me deixa na mão): se a capa é boa, significa que o designer leu o livro, gostou e se esforçou por comunicar a ideia. A editora investiu num bom profissional para fazer isso e a obra passou pelo crivo de gente competente no seu ofício.

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sobre heróis…

Estava aqui fazendo palavras cruzadas em alemão e me dei conta de como o modelo mental também é diferente.

A palavra tinha que descrever o contrário de herói (Held). Tudo o que tentei não encaixava; procurei sinônimos para vilão, bandido, criminoso, assassino… nada dava certo.

Desisti e fui fazendo as outras, até que tudo se encaixou.

O contrário de herói não é vilão. 

É covarde (Feigling).

Reflitam.


A tarde sabe de coisas…

Daniel Pink é um escritor que acompanho há alguns anos, desde “A revolução do lado direito do cérebro”. Assim, não poderia deixar passar batido “When: the scientific secrets of perfect timing” quando o vi numa livraria de aeroporto.

Pink reuniu estudos científicos sobre os padrões de comportamento dos humanos em relação ao tempo (na verdade, a discussão toda é sobre timing, mas não sei como traduzir essa palavra para o português). 

O autor começa explicando que há padrões de comportamento facilmente identificáveis com a ajuda da tecnologia sobre as decisões que tomamos em relação aos horários do dia. E começa apresentando uma análise feita com o auxílio de inteligência artificial que analisou 500 milhões de tweets publicados por 2.4 milhões de usuários de 84 países em um período de dois anos. A ideia era identificar os efeitos positivos (entusiasmo, confiança, nível de alerta, etc) e efeitos negativos (raiva, letargia, culpa, etc). Os resultados são impressionantes. Independente se quem escreveu o tweet era norte americano, asiático, muçulmano, ateísta, negro, branco, homem ou mulher, o padrão era claro: o humor positivo aumenta pela manhã, reduz consideravelmente à tarde e volta a crescer no início da noite. As pessoas sentem-se mais felizes ao longo da manhã e menos felizes à tarde. À noite, as coisas começam a melhorar novamente. É claro que esse é um padrão estatístico (antes que alguém aí diga que não é bem assim).

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WTF?

Eu me lembro muito do nome Tim O’Reilly porque a editora dele foi responsável pela publicação da maioria dos livros de programação e tecnologia da informação que li e consultei na vida. Nos anos 80, 90 e 2000, quase toda a literatura da área vinha dessa que foi a primeira grande editora especializada no assunto que se tem notícia.

Daí que esse senhor, que carrega praticamente toda a história da computação e da informática (ainda se chama assim?) nos ombros, resolveu publicar um livro não técnico, falando sobre como ele imagina que será o futuro.

Uma das grandes sacadas é o próprio nome: “WTF: What’s the future and why it’s up to us” (Tradução livre: “WTF: Qual é o futuro e porque ele depende de nós“). É que WTF é uma expressão em inglês que significa “What The Fuck?”; em português penso que a tradução que mais se aproxima é “Que porra é essa?”. Pois ele usa WTF como acrônimo de “What the Future?“, (que, no final das contas, significa, usando um pouquinho de humor e licença poética, quase a mesma coisa…rs). Continue reading “WTF?”

Será que existe um momento certo para inovar?

Esse é o tema que a gente trata essa semana no Berlim Tech Talks, nosso canal de vídeo que trata de tecnologia e inovação, pois é uma questão recorrente. Muita gente tem ideias brilhantes, tentam implementar e não dá certo. Alguns anos depois, alguém lança a mesma ideia com pequenas modificações e vira um estrondoso sucesso. Por que isso acontece? Será que a  ideia é mesmo a parte mais importante de uma inovação?

Dá o play no vídeo e vem ver o que pensamos a esse respeito.

As mulheres e o muro

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher; aqui em Berlim, a partir desse ano, passa a ser feriado municipal. Esse é o ano também em que se comemoram os 30 anos da queda do Muro de Berlim.

Penso que o momento é oportuno para representar minhas irmãs, pois nunca as mulheres se uniram tanto para se proteger, lutar por seus direitos e ficarem mais fortes. O que não deixa de ser o avesso do muro de Berlim, que em vez de unir, separava. Em vez de empoderar, enfraquecia. Em vez de honrar, humilhava. Em vez de enfatizar a cooperação e a gentileza, machucava e embrutecia. Em vez de tornar o mundo mais belo, fazia-o ficar mais horrível. Ainda bem que aquilo acabou e cabe a nós transformar as lascas em lições, em força, em superação.

Mulheres, juntas, podem fazer coisas maravilhosas.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho com as cascas do muro de Berlim e as ilustrações de mulheres, é só visitar o site ou as redes sociais:

www.studioligiafascioni.com

 www.instagram.com/studioligiafascioni

www.facebook.com/studioligiafascioni

Murakami colorido

Gosto muito do Haruki Murakami, em especial da maneira como ele descreve o dia-a-dia dos seus personagens num país tão exótico para mim, como é o Japão.  Então, quando vi essa edição caprichadíssima num sebo em Viena (que sorte que eles também falam alemão), não resisti. Já falei e repito: sim, eu costumo julgar os livros pela capa e raramente erro. Esse não foi exceção.

O volume, em edição de bolso, é encapado com tecido, tem aquelas fitinhas para marcar página e traz uma ilustração belíssima; impossível não amar.

Die pilgerjahre des farblosen Herrn Tazaki” (tradução livre: “O ano de peregrinação do incolor Sr. Tazaki”) é uma história simples, mas muito bem escrita. Continue reading “Murakami colorido”

Maus

Já tinha ouvido falar de Maus, de Art Spiegelman, e tinha alguma ideia do que se tratava e da relevância da obra. Mas lendo os dois volumes dessa incrível narrativa, deu para ver a importância do trabalho desse moço (que sempre achei que fosse alemão, mas é americano).

Maus, cujo primeiro volume foi publicado em 1986, é uma história em quadrinhos diferente de tudo o que eu já tinha visto. Não é à toa que revolucionou não apenas essa forma de expressão como também conseguiu emocionar um público que até então não costumava ler os livros convencionais que contam a tragédia do holocausto.

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top 10 de Janeiro: frio sem neve

Nos últimos dois invernos Berlim tem sido vítima de roubo de neve; estão desviando tudo para o sul da Europa e para os Estados Unidos. O frio nem está tão intenso como era de se esperar. Tem gente que acha bacana, mas uma das coisas que adoro em morar aqui é justamente ter as quatro estações bem definidas. Quero meu inverno com tudo o que tenho direito!

Mesmo assim, as paisagens continuam belas, dá só uma olhada.

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra silhuetas de pessoas caminhando pela praia de um lago congelado. — at Am Kaulsdorfer See.
1. Lagos congelados são sempre lindos… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra silhuetas de pessoas caminhando pela praia de um lago congelado. — at Am Kaulsdorfer See.

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O cardume

Um bom livro de ficção científica, na minha opinião, é o que leva a sério a palavra “científica” no nome do estilo literário. Ao contrário de livros de fantasia (que também são interessantes) e esotéricos (que não gosto muito), esses levam em consideração e com muita seriedade as leis da física, química e biologia na construção da história.

Nesse aspecto, Der Schwarm (“O Cardume”, em tradução livre), de Frank Schätzing,  é indefectível. Só imagino o tanto de pesquisa que foi necessária para escrever as quase mil páginas (com letras miudinhas…rs). 

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