Pequena coreografia do adeus

Eu já tinha ouvido falar nessa autora mas não tinha me atentado muito a respeito. Até que estive no Brasil, no mês passado e, visitando uma livraria, minha queridíssima e amada irmã me deu  “Pequena Coreografia do Adeus”, de Aline Bei. Ela disse que eu ia amar, e como minha irmã Andréa Ferraz me conhece bem!

Estou aqui meio que sem palavras para falar sobre a experiência maravilhosa que foram essas horas mergulhada na vida da Júlia, a protagonista.

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A cabeça do santo

A Cabeça do Santo”, de Socorro Acioli, foi o livro do mês de novembro do Clube do Livro de Münster, e, olha, achei muito bem escolhido.

Ainda não conhecia a autora, talvez porque as obras anteriores tenham sido autobiografias e livros infantis; esse é o primeiro romance dela (começou muito bem).

A história é simples, bem escrita e a gente lê em poucas horas. 

Começa com Samuel, o personagem principal, deixando a cidadezinha em que morou a vida inteira com a mãe, logo depois do enterro dela. Mariinha, sua genitora, morreu deixando uma lista de desejos para ele realizar. Basicamente, procurar seu pai e avó numa cidade próxima e acender uma vela aos pés das estátuas de cada um dos seus três santos de devoção. Um na sua própria cidade, um em uma cidade vizinha e outro na cidade onde seu pai e sua avó moravam.

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Confinada

Comecei a seguir o Leandro Assis no Instagram há alguns anos, com a série de quadrinhos intitulada “Os Santos”, que ele escrevia em colaboração com a escritora Triscila Oliveira. 

É uma parceira de milhões, pois Leandro, roteirista profissional premiado (é dele o fantástico “A mulher invisível”, com o Selton Melo, lembra?) via os comportamentos bizarros das classes mais endinheiradas do nosso país e tentava fazer uma crítica. Mas foi em conjunto com Triscila, que já foi empregada doméstica, que a crítica social ficou mais verossímil e sensível.

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A pediatra

Voltei do Brasil com uma pilha de autores brasileiros que queria muito ler! Um deles foi a aclamada “A pediatra”, de Andrea del Fuego. Muita gente das minhas redes sociais gostou e recomendou; basta dizer que o texto da quarta capa foi escrito por ninguém menos que a Fernanda Torres (também trouxe um livro dela, pois não a conheço ainda como autora).

Começando pelas trivialidades (importantíssimas para mim…rsrs): a capa é belíssima e a edição, primorosa. Não esperava menos da Companhia das Letras, mas nunca é demais elogiar uma publicação caprichada, né?

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O DIA EM QUE VISITEI UM PRESÍDIO LGBTQIA+

Essa foi uma das experiências mais impactantes da minha vida. 

Há alguns dias fui ao Brasil para ver meus queridos em Campinas e em São Paulo. Também passei 3 dias em Belo Horizonte, minha cidade do coração, onde tenho irmãos por escolha. 

Um deles é o meu amado Tio Flávio (ele não é meu tio de verdade, mas usa esse nome desde que era professor de pós graduação em marketing, quando o conheci — desde então, assumiu como marca), que sempre me acolhe na sua casa e me leva para conhecer um mundo novo e ampliar minha visão de como as coisas funcionam fora da minha bolha. Ele tem projetos sociais que envolvem mais de 1000 voluntários.

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Os sete maridos de Evelyn Hugo

Já fazia tempo que acompanhava o premiado “The seven husbands of Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid, em listas de mais vendidos e recomendações literárias diversas. Aí, quando vi que era o livro de dezembro no Clube do Livro de Münster, fui obrigada a lê-lo. Não teve outro jeito.

Na história, Evelyn é uma ex estrela de Hollywood dos anos 1950 que, perto de completar 80 anos resolve dar uma entrevista exclusiva a uma revista de variedades, com a exigência de que o trabalho seja feito por Monique Grant, uma jornalista não tão experiente, apesar de talentosa (o que causa certa estranheza na editora do veículo). Estão todos em polvorosa porque a atriz está recolhida há décadas sem falar com a imprensa.

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O homem que falava serpentês

Nossa, preciso demais compartilhar esse achado incrível! Encontrei “The man who spoke snakish” (tradução livre: “O homem que falava serpentês — ou a língua das cobras”), do estoniano Andrus Kivirähk, num sebo maravilhoso em Kreuzberg chamado Another Country (dica do querido Ricardo Beggiato).

O autor é um jornalista, contista, escritor de livros infantis e foi premiado por essa obra na França. Gente, como pode uma pessoa ter tanta imaginação?

A história se passa na Estônia, num tempo indeterminado que mistura vilarejos da Idade Média com humanos ancestrais. 

O protagonista, chamado Leemet, vive na floresta onde quase não dá para ver o céu, e vai contando a história de sua família.

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Para educar o seu nariz

Sempre fui fascinada em entender como nossos sentidos nos ajudam a perceber o mundo; essa compreensão é fundamental para quem se interessa por criatividade e inovação, pois o tema está diretamente relacionado à maneira como a gente expande nosso repertório e desenvolve novas ideias.

Pois o olfato é um dos nossos sensores mais poderosos; nosso narizes têm neurônios dentro — é o único sentido com acesso direto ao nosso cérebro (leia aqui a resenha de dois livros que exploram melhor a questão: Gastrofísica e O Cheiro das Coisas).

Agora imagine como fiquei feliz ao ser convidada para fazer parte da turma piloto do workshop que meu querido amigo Caio Mecca montou em conjunto com a competentíssima Stephanie Caires.

Caio Mecca e Stephanie Caires

Caio é engenheiro químico e criou o primeiro blog de resenhas e perfumes do Brasil (aqui o link); mora em Berlim há alguns anos e já foi nosso entrevistado no Berlim Tech Talks

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Kindred

Nada como ter amigas cultas e antenadas, né? Pois tenho o privilégio de ter a Ariane de Melo (escritora, que usa o pseudônimo C.A. Saltoris) e a maravilhosa jornalista Noemia Colonna. Foram elas que me apresentaram o termo afrofuturismo (já tinha ouvido falar, mas não sabia exatamente o que era).

Pois o afrofuturismo combina elementos de ficção científica, ficção histórica, realismo mágico e arte africana em obras artísticas em suas várias formas. Na literatura, um de seus expoentes é a americana Octavia E. Butler, que eu não conhecia. 

Octavia (1947-2006) ganhou vários prêmios de ficção científica e comecei a ler sua obra pelo romance “Kindred” (numa tradução livre seria algo como “Parentesco”, mas no Brasil o título foi traduzido como “Kindred: laços de sangue”).

A história é dessas em que você começa e não consegue mais largar. 

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A síndrome do “é de casa”

Vamos falar nos relacionamentos (e clientes) novos e antigos: quem é tratado com mais cuidado e deferência? 

Dá uma olhada para ver se você está tratando como VIP quem merece mesmo.

Depois conta pra gente se rolou algum upgrade por aí…

Se você quiser baixar a apresentação (sem os memes…rsrs), é só clicar aqui.