Berlim nunca mais será a mesma

Sabe quando você ama uma cidade do fundo do seu coração, declara esse amor todo dia com fotos, faz propaganda, elogia, mas queria fazer muito mais? Pois encontrei mais uma pessoa com a mesma paixão e a mesma vontade: a queridíssima Nicole Plauto, do Agenda Berlim. Personalidades diferentes, talentos complementares; a combinação perfeita para criar um negócio que vai fazer diferença na experiência das pessoas. Juntamos ilustração, história, fotografia, cultura, storytelling, humor, redes sociais e muito amor por Berlim num projeto só.

A gente queria que o povo pudesse levar um pouquinho dessa magnífica cidade para casa, mas que não fosse algo estático e convencional. Queríamos algo com história, uma coisa dinâmica que fizesse parte do dia-a-dia quando a pessoa voltasse de viagem, que tivesse significado. Aí surgiram os Wesen. Estamos trabalhando nisso há nove meses e olha a coincidência: hoje nosso projeto vai nascer para o mundo!

Os Wesen são plush toy arts com uma história bem interessante: na verdade, são seres de outro planeta que assumiram essa forma com a nossa ajuda, para serem mais amigáveis e confortáveis para os seres humanos. Mas por que isso? É que lá no planeta deles, na Galáxia de Andrômeda, todas as profissões são criativas (o trabalho rotineiro é feito por máquinas). Aí eles costumam passar um tempo em outros planetas, misturados com a população, para ampliar seu repertório de experiências (já falei várias vezes que, sem repertório, não tem inovação). Essas mentes criativas são completamente livres de preconceitos (pelo menos os que existem na Terra) e enxergam tudo com um olhar curioso e cheio de vontade de aprender. Escolheram Berlim porque aqui existe tolerância e respeito à diversidade; eles podem circular sem chamar atenção e conhecer gente de várias partes do mundo.

Os Wesen só se comunicam telepaticamente (a Nicole e eu ficamos observando esses seres exóticos por anos e demoramos para conseguir fazer contato). Ficamos tão encantadas com a história deles (são uns fofos, você vai ver) que resolvemos ajudá-los a ampliar a interação com os humanos. Por isso, ensinamos a eles como usar as redes sociais.

Essas criaturas (Wesen são criaturas em alemão) vão passear por Berlim, visitar teatros, museus, cafés, parques, eventos (as preferências vão de acordo com a personalidade de cada um) e compartilhar tudo nas redes sociais, com fotos e impressões; às vezes eles perguntam coisas que não conseguem entender muito bem. É a hora que os seguidores entram em ação para ajudá-los.

Eles usam um portal secreto escondido na cidade para chegar em Berlim e nem nós sabemos onde está localizado (se tiver alguma pista, compartilhe usando #wesensecretportal); de tempos em tempos, chegam novas expedições.

A primeira expedição assistida por mim e pela Nicole é formada por Helga, uma Professora de História do Cosmos super sarcástica e debochada que, por força de sua profissão, adora história e museus (ela vai contar tudo o que vai ver na cidade); Jean-Pierre, um Desenvolvedor de Genialidade Artificial que interessa-se essencialmente por tecnologia e por gente, principalmente pela maneira como são tomadas decisões — ele gosta de observar a reação das pessoas à aparência dele. Jean também adora arte, boa comida, bons vinhos e ama maquiagem. Mia é Coreógrafa de Notícias (essa é uma das maneiras mais populares de comunicação lá em Andrômeda); recém saída de um relacionamento, quer aproveitar ao máximo a experiência na Terra. Não perde uma festa e gosta de moda, culinária natural, animais e interessa-se, sobretudo, pela maneira como as pessoas se mexem.

Estamos trabalhando, em paralelo, para fabricar clones dos Wesen. Serão edições limitadas (sempre números primos, que são a base deles lá em Andrômeda) e numeradas, que incluirão um visto de permanência no planeta e autorização para que o humano o leve para viver em sua própria cidade, contando como as coisas funcionam lá. O humano também deve compartilhar essas experiências pelas redes sociais, pois só assim o Wesen original terá acesso a tudo. Imagina quanta informação isso vai gerar! Todas as cidades do mundo são interessantes para os Wesen e você poderá conhecer todas elas só seguindo esses queridos nas redes sociais!

Sem dizer que, a qualquer momento, novas expedições podem chegar, com novos Wesen e novas histórias, que vão gerar séries, games e mais um monte de coisas.

A Nicole e eu estamos muito empolgadas com nossos novos amigos e esperamos que vocês também curtam acompanhar o dia-a-dia deles no Facebook e no Instagram.

Aqui um vídeo com o resumo da história (com legendas em português).

O homem ilustrado

Do Ray Bradbury, só conhecia “Fahrenheit 451“, um clássico da literatura distópica (leia a resenha aqui). Sabia que ele tinha muitos trabalhos na área de ficção científica, mas nenhuma obra ainda tinha me caído nas mãos.

Até semana passada, quando, na visita semanal ao mercado de pulgas, acabei achando “Der illustrierte Mann“. É uma coleção de contos típica dos anos 1950/60, com máquinas inteligentes, viagens a Marte e outros planetas desconhecidos. Perfeito para ler antes de dormir.

Mas para mim, o mais especial nesse livro foi a forma como os textos foram costurados. Tudo começa quando o narrador encontra um homem numa parada durante uma viagem. O homem é enorme e está completamente vestido com mangas compridas, apesar do calor. Eles começam a conversar e o tal sujeito pede ajuda para comprar um lanche, uma vez que desde que caiu nas garras de uma mulher misteriosa, não consegue mais achar emprego.

A suposta bruxa, certo dia, encheu seu corpo de tatuagens hiperrealistas e coloridas que nunca se apagam ou perdem a vivacidade. Até aí, tudo bem; aliás, um sonho para qualquer tatuado.

A questão é que durante a noite as tatuagens criam vida e se mexem como se fossem um filme. Cada uma das 18 ilustrações conta uma história fantástica; justamente as narradas no livro, o que deixam o homem exaurido, além de assustar as pessoas com quem ele tem contato (isso antigamente poderia mesmo ser um problema; hoje em dia,  seria sucesso absoluto…rs).

Achei genial. As tramas também são muito criativas, apesar da melancolia comum a todas (exceto a última, que foge um pouco do padrão).

Adorei e recomendo!

top 10 de abril: o show das cerejeiras

Tem um ditado alemão que diz “April macht was er will” (tradução bem livre: “abril faz o que lhe dá na telha”). Isso é bem verdade; nesse mês pegamos temperaturas próximas de 25 graus com sol forte, mas também chuva, vento e até neve.

Além dessas surpresas climáticas, é em abril que a cerejeiras dão seu show e cobrem a cidade de florzinhas brancas e rosa.

Uma sensação inexplicável ver todas as plantas brotarem ao mesmo tempo; fica tudo num verde tão novinho e fresco, como se a vida renascesse para começar tudo do zero. Adoro!

Aqui a seleção das minhas fotos mais curtidas nas redes sociais esse mês. Qual é a sua preferida?

Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a sombra de uma árvore projetada na relva de um parque. Acontece que a grama está toda coberta com florzinhas azuis; então fica parecendo que essas flores são a copa da árvore projetada no chão. O efeito ficou interessante, mas ao vivo ainda tem o perfume... — in Plötzensee, Berlin, Germany.
1. Pensa num dia lindo, mas tão lindo, que até a sombra pensa que é árvore florida. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a sombra de uma árvore projetada na relva de um parque. Acontece que a grama está toda coberta com florzinhas azuis; então fica parecendo que essas flores são a copa da árvore projetada no chão. O efeito ficou interessante, mas ao vivo ainda tem o perfume… — in Plötzensee, Berlin, Germany.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra barcos do porto histórico de Berlin sob um céu que varia do lilás ao turquesa. — at Historischer Hafen Berlin.
2. Céu lilás. Temos. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra barcos do porto histórico de Berlin sob um céu que varia do lilás ao turquesa. — at Historischer Hafen Berlin.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma senhorinha com um sobretudo bege caminhando com a ajuda de um andador. Ela está emoldurada por uma cerejeira rosa, fazendo as vezes de um céu florido, e uma árvore carregada de magnólias perfumadas. — at Berlin-Kreuzberg, Mehringdamm.
3. Magnólias e cerejeiras juntas: impossível não amar. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma senhorinha com um sobretudo bege caminhando com a ajuda de um andador. Ela está emoldurada por uma cerejeira rosa, fazendo as vezes de um céu florido, e uma árvore carregada de magnólias perfumadas. — at Berlin-Kreuzberg, Mehringdamm.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um conjunto de prédios banhados pela luz dourada do sol, às margens de um dos canais do rio Spree. A cena é refletida numa poça d'água. — at Derag Hotel und Living Grosser Kurfuerst Berlin.
4. A louca da poça d’água ataca novamente! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um conjunto de prédios banhados pela luz dourada do sol, às margens de um dos canais do rio Spree. A cena é refletida numa poça d’água. — at Derag Hotel und Living Grosser Kurfuerst Berlin.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma mulher caminhando no parque. Ela usa camiseta branca e calça escura e está carregando um casaco vermelho nas costas. Em primeiro plano, flores silvestres azuis cobrem toda a relva. — in Plötzensee, Berlin, Germany.
5. Essas florzinhas azuis são lindas demais… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma mulher caminhando no parque. Ela usa camiseta branca e calça escura e está carregando um casaco vermelho nas costas. Em primeiro plano, flores silvestres azuis cobrem toda a relva. — in Plötzensee, Berlin, Germany.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma ciclista de blusa rosa, aguardando para atravessar a avenida. A cena é emoldurada por uma cerejeira florida. — at Berlin-Kreuzberg, Mehringdamm.
6. Quem disse que a vida não pode ser cor-de-rosa? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma ciclista de blusa rosa, aguardando para atravessar a avenida. A cena é emoldurada por uma cerejeira florida. — at Berlin-Kreuzberg, Mehringdamm.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um céu azul escuro com algumas nuvens e um arco-íris perfeito!!!
7. O arco-íris mais lindo que já vi na vida! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um céu azul escuro com algumas nuvens e um arco-íris perfeito!!!
 #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um campo de tulipas vermelhas sob árvores com folhas novas.
8. Quando uma amiga faz aniversário e convida a gente para festejar no paraíso… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um campo de tulipas vermelhas sob árvores com folhas novas.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um grupo de pessoas às margens do lago Tegel. A vegetação ainda está sem folhas. Uma das pessoas carrega um monte de balões vermelhos. Na verdade, acredito que estavam fotografando para uma campanha publicitária ou algo do gênero, a julgar pelo figurino do casal e o tamanho das lentes da fotógrafa 😊 — at Greenwichpromenade.
9. A mim pareceu cena de filme… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um grupo de pessoas às margens do lago Tegel. A vegetação ainda está sem folhas. Uma das pessoas carrega um monte de balões vermelhos. Na verdade, acredito que estavam fotografando para uma campanha publicitária ou algo do gênero, a julgar pelo figurino do casal e o tamanho das lentes da fotógrafa 😊 — at Greenwichpromenade.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma mulher e uma menina caminhando sobre a calçada. Em volta delas tudo é cor de rosa, pois estão cercadas de cerejeiras floridas. No canto esquerdo, há um estacionamento de bicicletas. Alguns carros estragam a paisagem, como sempre...rs — at Divan Restaurant Berlin.
10. As cerejeiras fazendo o céu ficar cor-de-rosa. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma mulher e uma menina caminhando sobre a calçada. Em volta delas tudo é cor de rosa, pois estão cercadas de cerejeiras floridas. No canto esquerdo, há um estacionamento de bicicletas. Alguns carros estragam a paisagem, como sempre…rs — at Divan Restaurant Berlin.

Minha história com a street art

Esses dias me dei conta de que um dos projetos mais legais dos quais participei, a pintura do muro da Academia de Polícia no bairro da Trindade, em Florianópolis, está fazendo 15 anos. Como o tempo passa rápido! Como, naquela época, poderia imaginar que hoje estaria morando em Berlim e alimentando meus olhos diariamente com street art?

Esse projeto, capitaneado pela Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, devia ser repetido mais vezes. Observando que os muros e paredes da região estavam sujos e causando má impressão, os organizadores conseguiram patrocínio de tintas e materiais com os comerciantes locais e promoveram um verdadeiro festival de street art. Os interessados deviam enviar seus desenhos que seriam mostrados para os donos dos respectivos muros; caso aprovassem, seria executado (olha aí uma solução baseada no consenso que é boa para todo mundo!).

Escolhi o muro da Academia de Polícia porque tinha um ponto de ônibus lá. Minha ideia era desenhar uma fila de pessoas conversando que seriam misturadas com as que estivessem esperando a condução. O desenho era genérico, baseado em ilustrações de um livro que eu tinha escrito antes (“De fila em fila: um guia de sobrevivência“, esgotado há anos — que me rendeu uma entrevista no Jô Soares), mas na real, não sabia exatamente quem seriam os personagens que iria desenhar.

Na época, 2002, estava escrevendo minha tese de doutorado e trabalhando em período integral em uma empresa privada. Assim, só tinha tempo para pintar o muro aos domingos; por esse motivo, levei quase dois meses para terminar de desenhar os 42 personagens ao longo dos 14 metros de muro. Olha, foi uma das coisas mais legais que já fiz na vida!

Tentei representar ao máximo os frequentadores do ponto de ônibus: estudantes da universidade, senhores e senhoras do curso da terceira idade, meu professor de mergulho, o Guga Küerten (que não frequentava o ponto, mas morava num bairro próximo), vendedores de tainha, criadores de curió, casais de namorados, mães com filhos pequenos, torcedores da Copa do Mundo (que seria realizada alguns meses depois), hippies, cambistas, enfim, todo mundo! No final, acabei escrevendo os prováveis diálogos entre eles no mais castiço “manezês”, espécie de dialeto ilhéu.

Justamente porque estava a desenhar pessoas, muitas se sentiam à vontade para interagir e dar palpites na obra, coisa que eu adorava. Lembro de umas freiras que estavam passando um dia e pediram para pintar um pouco; minha professora de ginástica, a querida Cida, que também deu suas pinceladas. Até meu saudoso e querido pai apareceu lá um dia para ajudar também. Uma farra!

Uma pena que na época eu não tinha câmera digital e o mundo não era tão fotografável; assim, tenho poucos registros e de qualidade questionável.

Das muitas histórias que vivenciei e dos surreais diálogos que lá se passaram, tenho registrados alguns. Lembro dos mais curiosos:

  1. Um senhor passou uma tarde inteira conversando comigo enquanto pintava; narrou toda a vida dele, desde menino até quando terminou a escola e fez concurso público. Hoje era aposentado, mas, contou, com orgulho, que sabia fazer 35 coisas na época em que trabalhou. Apesar de não entender direito o critério para classificar as tais “coisas”, fiquei assombrada. Acho que não sei fazer tudo isso não…
  2. Uma vez um carro cheio de gente parou para pedir, em coro, que eu incluísse na fila um torcedor de um dos times de futebol da cidade, o Avaí. Como não gosto de confusão, fiz um do Figueirense também. Algumas semanas depois, parou um carro cheio de torcedores do Figueirense que tiraram várias fotos ao lado de seu “representante” na fila…rsrs
  3. Um visitante contumaz era um catador de papel da região. Ele sempre parava seu carrinho ali e ficava conversando. Um dia ele criou coragem e me perguntou se eu estava ganhando dinheiro para fazer aquele trabalho. Expliquei que não, que era um projeto coletivo e voluntário. Aí me perguntou se eu sabia desenhar as pessoas “como elas realmente eram”, pois meus desenhos não representavam muito bem, conforme as palavras dele. Eu disse que não sabia desenhar da maneira como ele queria, como se fosse uma foto. Aí o moço não se conteve: “Mas então é por isso que não estão lhe pagando pelo trabalho! É porque você não sabe desenhar!”….hahahahahahahaha… adorei! Quem sabe ele tinha mesmo razão?
  4. Num dos finais de semana, tive que gastar toda a minha lábia para negociar com um menino que queria que eu desenhasse uma cobra para assustar as pessoas que estivessem no ponto. Consegui trocar por uma galinha e um passarinho…rsrsr
  5. Estava um dia calmamente pintando, quando se aproximaram três guardas: gelei, pois no final de semana anterior tinha justamente desenhado…um guarda! Achei que fossem reclamar, mas um deles disse que tinha um pedido; ele ficaria muito feliz se eu atendesse. Esperando o pior, olha o que o moço me disse: “É que todo mundo acha que aquele guarda ali sou eu; será que você podia escrever meu nome no distintivo para as pessoas terem certeza?”. E aguardou calmamente eu fazer a alteração para os colegas poderem tirar a foto dele ao lado do sósia…rsrs
  6. Uma moça que estava fazendo mestrado na UFSC me pediu para usar a imagem de uma estudante de arquitetura negra no seu documentário sobre cotas. Apesar de acreditar que essa não é a solução para a desigualdade (discuti bastante com ela a esse respeito, a menina era uma querida e super inteligente; respeitou minha opinião sem insistir), é claro que fiquei muito honrada por ela usar a imagem no trabalho.

Estou com outros projetos prioritários, mas um dos itens da minha lista é me enturmar com os grafiteiros de Berlim para ver como funciona a pintura de paredes por aqui (não quero correr o risco de ser presa…rsrs). Tenho para mim que é só uma questão de tempo. Aguardem…rsrs

#paracegover A imagem mostra um ponto de ônibus coberto.No muro ao redor dele, personagens desenhados conversando entre si.
A fila do ponto de ônibus ficou assim, lotada de gente, apesar de não ter ninguém esperando a condução no momento. #paracegover A imagem mostra um ponto de ônibus coberto. No muro ao redor dele, personagens desenhados conversando entre si.
#paracegover A imagem mostra pessoas sentadas no ponto de ônibus ao lado do muro desenhado.
Agora tem gente sentada. Os personagens que esperem em pé… #paracegover A imagem mostra pessoas sentadas no ponto de ônibus ao lado do muro desenhado.
#paracegover A imagem mostra um muro desenhado com pessoas em volta de um ponto de ônibus. A foto foi tirada do outro lado da rua e um carro passou bem na hora.
Passando de carro, a imagem era essa. Até que ficou interessante… #paracegover A imagem mostra um muro desenhado com pessoas em volta de um ponto de ônibus. A foto foi tirada do outro lado da rua e um carro passou bem na hora.
#paracegover A imagem mostra, na foto da esquerda, uma mulher abaixada, de camiseta branca, calça jeans e óculos de sol, pintando o muro. Na foto da direita, alguns personagens em detalhe.
Eu me divertindo horrores! Ainda bem que meu orientador nunca descobriu…#paracegover A imagem mostra, na foto da esquerda, uma mulher abaixada, de camiseta branca, calça jeans e óculos de sol, pintando o muro. Na foto da direita, alguns personagens em detalhe.
#paracegover A imagem mostra uma mulher sorrindo ao lado de um muro com desenhos inacabados.
Eu desenhando o muro. #paracegover A imagem mostra uma mulher sorrindo ao lado de um muro com desenhos inacabados.
#paracegover A imagem mostra uma estudante de arquitetura, um torcedor do Avaí, uma mulher segurando uma bolsa vermelha, minha professora de ginástica, a Cida e um policial militar. Um gato peludo (o Heitor) também aparece.
Detalhes do muro. #paracegover A imagem mostra uma estudante de arquitetura, um torcedor do Avaí, uma mulher segurando uma bolsa vermelha, minha professora de ginástica (a Cida) e um policial militar. Um gato peludo (o Heitor) também aparece. Estou no canto direito, preparando o pincel.
#paracegover A imagem mostra o desenho de duas mulheres conversando, um senhor de óculos e um rapaz fumando com o cabelo parafinado (era moda na época).
Mais personagens típicos. #paracegover A imagem mostra o desenho de um moço bem musculoso, duas mulheres conversando, um senhor de óculos, um rapaz fumando com o cabelo parafinado (era moda na época) e uma estudante de arquitetura com sua pasta, canudo de projetos e mochila.

A tal da casa

Uma cidade lotada de artistas e mentes criativas, só pode dar coisa boa como resultado. Pois olha só que ideia genial: um coletivo de street art aqui de Berlin chamado Die Dixons ficou sabendo que um antigo prédio do Berliner Volksbank iria ser demolido para a construção de um condomínio residencial e propôs o seguinte para os empreendedores da obra: por que não pegar o prédio vazio, antes da demolição, e preenchê-lo todo com arte? Street art é isso mesmo: a arte fugaz, temporária, não duradoura. E o que pode ser  mais perfeito do que um prédio com os dias contados para servir de local para uma grande exposição? O que pode ser melhor do que uma antiga filial bancária se transformar em galeria de arte?

O governo apoiou, empreendedores próximos, como o hotel Berlin Berlin, também entraram na brincadeira hospedando artistas de outras cidades e países gratuitamente e a construtora adorou a ideia de ser identificada com um projeto tão vanguardista: assim nasceu a The Haus**

O resultado é que 165 artistas fizeram a festa nas 108 salas distribuídas em 5 andares. Nada escapou impune: banheiros, corredores, elevadores, portas, tudo foi grafitado.

Inaugurada em primeiro de abril, a instalação fica apenas até dia 30 de maio. A entrada é gratuita e as filas são gigantescas (tentei duas vezes e só entrei na terceira, depois de uma hora de espera). É possível fazer visitas guiadas pelos próprios artistas (aliás, a coisa lá é organizadíssima), mas as reservas também já estavam esgotadas. Na saída, você pode doar o quanto quiser e ainda tem um livro sobre a exposição para vender por €30.

Quando a gente está na fila, sempre tem alguém (geralmente um dos artistas do projeto) informando sobre o tempo estimado de espera e pedindo compreensão. Como é expressamente proibido fotografar (o que achei ótimo, pois, ultimamente, é quase impossível apreciar as obras em um museu sem que tenha alguém tirando uma selfie na frente das obras), a gente ganha um saquinho plástico com fechamento de cola para guardar o celular. As pessoas que saem vão tecendo comentários elogiosos e dando força para os que estão na fila aguardarem, pois vale a pena.

E como vale! É como entrar num universo paralelo. Além dos grafites convencionais, há instalações de arte contemporânea (umas muito instigantes e sensacionais; outras incompreensíveis para mim, como sempre) e surpresas em todos os cantos. Quando eu fui, tinha uma turma de adolescentes visitando o local com a escola (acho isso tão lindo, de levar as crianças nos museus!).

Por motivos óbvios, não posso postar fotos aqui, exceto da fachada do prédio, mas a fan page do projeto está cheia de fotos, além desse artigo da Deutsche Welle, muito bem escrito, de onde tirei boa parte das informações.

Se você estiver em Berlim até o final de maio, não perca essa oportunidade.

Tomara que esse projeto seja muito copiado e vire moda. Todo mundo vai adorar!!!

——

** Haus é casa em alemão e o uso do artigo The em inglês, mostra a multiculturalidade do conceito.

 

Top 10 de março: a primavera chegou!

Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, voltamos a ver flores nas ruas. O humor das pessoas muda, a ar muda, tudo muda! Uma das coisas que mais aprecio em morar aqui é justamente termos as quatro estações do ano bem marcadas, igual aos livros de história. E a primavera emociona e comove até os corações mais endurecidos; como resistir a uma cerejeira florindo?

Prepare os olhinhos para se deliciar!

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma bicicleta estacionada na frente de um mapa desenhado na parede. O mapa-mundi branco sobre o fundo azul traz a seguinte frase escrita em letra cursiva atravessando os continentes: "we are all immigrants and refugee". — at URBAN NATION.
1. Duas coisas maravilhosas: bicicletas e mapas. Não tem como n±ao amar! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma bicicleta estacionada na frente de um mapa desenhado na parede. O mapa-mundi branco sobre o fundo azul traz a seguinte frase escrita em letra cursiva atravessando os continentes: “we are all immigrants and refugee”. — at URBAN NATION.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma cena escura (o corredor de saída da estação de metrô). Ao fundo, a escada com a luz do dia entrando. A silhueta das pessoas deu um tom de mistério... — at Märkisches Museum (Berlin U-Bahn).
2. Saí do metrô bem na hora em que os raios do sol estavam invadindo a estação. Ficou parecendo uma cena daquele filme “contatos imediatos de terceito grau”, né? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma cena escura (o corredor de saída da estação de metrô). Ao fundo, a escada com a luz do dia entrando. A silhueta das pessoas deu um tom de mistério… — at Märkisches Museum (Berlin U-Bahn).
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um grafite na esquina de um prédio residencial pintado em tons de laranja. A obra representa uma criança lendo algo para um enorme urso polar castanho. Os dois parecem muito entretidos. A cena está toda refletida na poça d'água à frente, com a participação indesejada de carros estacionados no local. As árvores ainda estão todas sem folhas. — at Park am Gleisdreieck.
3. Esse grafite é muito lindo e duplicado, ainda por cima… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um grafite na esquina de um prédio residencial pintado em tons de laranja. A obra representa uma criança lendo algo para um enorme urso polar castanho. Os dois parecem muito entretidos. A cena está toda refletida na poça d’água à frente, com a participação indesejada de carros estacionados no local. As árvores ainda estão todas sem folhas. — at Park am Gleisdreieck.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem solitário no meio do rio Spree praticando Paddling (remo em pé sobre uma prancha parecida com a de surf). Ao fundo, prédios e a escultura Molecule Man podem ser vistos. — at Oberbaum Bridge.
4. O que esse moço estava fazendo vestido assim, no maior frio, andando de Stand up Paddle, é um mistério que até hoje ninguém conseguiu decifrar. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem solitário no meio do rio Spree praticando Paddling (remo em pé sobre uma prancha parecida com a de surf). Ao fundo, prédios e a escultura Molecule Man podem ser vistos. — at Oberbaum Bridge.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um prédio que seria comum não fosse a ousadia e criatividade de pintar os element de volume em tons diferentes de azul, indo do lilás ao turquesa. Do lado direito à ênfase está nos quadrados e retângulos sobrepostos. Do lado esquerdo, listras. Em destaque, uma sacada típica alemã, com decoração eclética e bem colorida. — at Innstraße berlin.
5. Como bem descreveu minha amiga Renata Rubim, designer de superfície e especialista em cores, é pena que a cartela complementar de tons não foi bem escolhida. De qualquer forma, achei bacana! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um prédio que seria comum não fosse a ousadia e criatividade de pintar os element de volume em tons diferentes de azul, indo do lilás ao turquesa. Do lado direito à ênfase está nos quadrados e retângulos sobrepostos. Do lado esquerdo, listras. Em destaque, uma sacada típica alemã, com decoração eclética e bem colorida. — at Innstraße berlin.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra duas pessoas caminhando sobre um calçada coberta por cerejeiras floridas. Em primeiro plano, um cacho deslumbrante. À esquerda, ao fundo, um prédio amarelo reflete o sol do dia maravilhoso. — at Schwedter Straße.
6. Ah, as cerejeiras… impossível não se emocionar ao ver um show desses…#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra duas pessoas caminhando sobre um calçada coberta por cerejeiras floridas. Em primeiro plano, um cacho deslumbrante. À esquerda, ao fundo, um prédio amarelo reflete o sol do dia maravilhoso. — at Schwedter Straße.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um barquinho ancorado próximo à borda do rio. Em primeiro plano, um mini buquê de flores naturais brota no meio do capim. O dia está cinematográfico! — at Berlin-Haselhorst.
7. É sempre encantador ver esses buquês que brotam espontaneamente do chão! Tão delicados e arrumadinhos; parece que alguém colocou de propósito, só para compor o cenário… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um barquinho ancorado próximo à borda do rio. Em primeiro plano, um mini buquê de flores naturais brota no meio do capim. O dia está cinematográfico! — at Berlin-Haselhorst.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a parte dianteira de uma vespa amarela estacionada na calçada. Atrás dela, uma parede grafitada com vários desenhos. A foto foi tirada de maneira a parecer que o passarinho pintado na parede está pousado no guidão da Vespa. Parece que ele quer passear; vamos? — at Prater Garten.
8. Vespa tem tudo a ver com street art. Aqui tentei fazer a combinação ser completa, uma totalmente integrada à outra. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a parte dianteira de uma vespa amarela estacionada na calçada. Atrás dela, uma parede grafitada com vários desenhos. A foto foi tirada de maneira a parecer que o passarinho pintado na parede está pousado no guidão da Vespa. Parece que ele quer passear; vamos? — at Prater Garten.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra três crianças caminhando em uma rua ao lado de uma praça. A cena é vista através das esquadrias de uma janela. — in Schöneberg, Berlin, Germany.
9. Fui fazer o checkup anual e essa era a vista das escadas do prédio do consultório médico. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra três crianças caminhando em uma rua ao lado de uma praça. A cena é vista através das esquadrias de uma janela. — in Schöneberg, Berlin, Germany.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma escada externa com vários níveis, vista de lado. As paredes estão cobertas com uma instalação de arte composta de discos de metal onde vários artistas fizeram intervenções. Há um homem de preto descendo a escada enquanto consulta o celular. — at KINDL - Zentrum für zeitgenössische Kunst.
10. Aqui uma escadaria instalada no fundo de um beco, decorada de maneira muito especial: discos customizados por artistas. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma escada externa com vários níveis, vista de lado. As paredes estão cobertas com uma instalação de arte composta de discos de metal onde vários artistas fizeram intervenções. Há um homem de preto descendo a escada enquanto consulta o celular. — at KINDL – Zentrum für zeitgenössische Kunst.

Café surpresa

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma grande sala com pé direito altíssimo e seis tanques que antigamente eram usados para fazer cerveja. Em volta dos tanques há mesas e cadeiras. Os dois últimos tanques estão sobre um mezzanino.

Realmente a pessoa não perde nada em vagar por Berlim, como adoro fazer aos finais de semana. Escolho um bairro ou região e vou me perdendo sem medo; parece que tem uma coisa colorida naquela esquina? Vamos lá ver! E aquilo ali, o que será? Só indo para ter certeza!

Foi assim que, flanando pelo bairro de Neukölln (na verdade, tinha ido lá procurar material para um protótipo), deparei-me com essa escadaria maravilhosa no final de uma rua. Olha.

A imagem mostra um beco com uma escadaria de concreto no final, cheia de intervenções artísticas. Do lado direito há um elevador pintado de verde-limão.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: A imagem mostra um beco com uma escadaria de concreto no final, cheia de intervenções artísticas. Do lado direito há um elevador pintado de verde-limão e um casal com duas bicicletas está entrando nele.

Vi esse casal subindo de bicicleta pelo elevador e fui atrás, de escada. Lá em cima tinha uma obra (acho que estão fazendo uma praça) e, ao lado, um prédio enorme e antigo. Aí descobri a Kindl, uma antiga cervejaria que foi transformada em centro de arte contemporânea, o KINDL – Zentrum für zeitgenössische Kunst. Entrei, vi uma instalação em vídeo bem interessante e gostei, mas principalmente fiquei encantada com a arquitetura do lugar. Mais o mais legal mesmo é o café que ocupa a maior parte do prédio.

O König Otto é um café vegetariano/vegano e fica exatamente na sala onde estão instalados os tonéis onde se fazia a cerveja. No projeto de restauração, tentaram interferir o mínimo no cenário original. Até os paineis de controle do processo de produção foram mantidos. Olha só que coisa mais sensacional!!

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma grande sala com pé direito altíssimo e seis tanques que antigamente eram usados para fazer cerveja. Em volta dos tanques há mesas e cadeiras. Os dois últimos tanques estão sobre um mezzanino.
Essa é a vista que você tem logo que entra. Não é linda? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma grande sala com pé direito altíssimo e seis tanques que antigamente eram usados para fazer cerveja. Em volta dos tanques há mesas e cadeiras. Os dois últimos tanques estão sobre um mezzanino.
A imagem mostra vários tonéis de cerveja em um salão. Há mesas em volta com algumas pessoas sentadas.
Um lugar calmo e quieto para ler, meditar e ter conversas importantes… #paracegover Descrição para deficientes visuais: A imagem mostra vários tonéis de cerveja em um salão. Há mesas em volta com algumas pessoas sentadas.
 A imagem mostra o detalhe de vávulas instaladas nos tanques de cerveja.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: A imagem mostra o detalhe de vávulas instaladas nos tanques de cerveja.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra pessoas sentadas em mesas ao lado dos tanques de cerveja. Em primeiro plano, pode-se ver os cardápios em pranchetas e uma tulipa amarela sobre uma mesa.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra pessoas sentadas em mesas ao lado dos tanques de cerveja. Em primeiro plano, pode-se ver os cardápios em pranchetas e uma tulipa amarela sobre uma mesa.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: são duas imagens nesse bloco; a primeira mostra o detalhe da porta aberta de um dos tanques, com uma tulipa amarela em primeiro plano. A segunda mostra o que tem dentro do tanque; um balde no centro e um pano úmido no canto.
Aposto que você queria saber o que tem dentro dos tanques, agora que não tem mais cerveja. Pois eu também. Todos eles estão com a tampa aberta e só têm um balde dentro com um pano (será que andou vazando água?). Como é um centro de arte contemporânea, penso que logo vão pensar em algo mais original para colocar dentro (ou será que isso já é uma instalação? Nunca se sabe…rsrsrs). #paracegover Descrição para deficientes visuais: são duas imagens nesse bloco; a primeira mostra o detalhe da porta aberta de um dos tanques, com uma tulipa amarela em primeiro plano. A segunda mostra o que tem dentro do tanque; um balde no centro e um pano úmido no canto.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra quatro tanques e a porta de entrada do café.
Aqui uma vista geral quando se olha do mezzanino. Ao lado da porta de entrada, é possível ver os paineis de controle. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra quatro tanques e a porta de entrada do café.
 #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o painel de controle cheio de chaves e botões.
Aqui o detalhe do painel de controle; sim, podem me julgar, mas adoro paineis de controle! Acho-os lindos!!! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o painel de controle cheio de chaves e botões.

A revolta de Atlas

A imagem mostra a escultura de um homem, toda vandalizada e pixada, como um Atlas que já está cansado de ser explorado e não reconhecido.

Se você acha que o Facebook só tem fotos de “família feliz e tretas, talvez não esteja seguindo as discussões certas. Estava acompanhando um post que falava de distopias quando alguém citou “A revolta de Atlas”, de Ayn Rand. Até então, só tinha lido as que conhecia como clássicas: “1984” (George Orwell), “Admirável mundo novo” (Aldoux Huxley) e “Fahrenheit 451(Ray Bradbury). Já tinha ouvido falar na filósofa Ayn Rand, mas não sabia que essa obra era uma distopia também. Bom, para minha sorte, minha amiga e sócia Nicole Plauto (não por acaso, economista) também estava na discussão e me emprestou o livro.

A revolta de Atlas” é considerado um dos livros mais influentes da história nos EUA; numa pesquisa feita pela Biblioteca do Congresso em 1991, foi escolhido entre os leitores como o segundo livro que mais fez diferença na sua visão de mundo, perdendo apenas para a Bíblia.

Aí você devora os três volumes e pensa: como é que essa leitura não é obrigatória em todas as escolas? A gente passa a entender melhor muita coisa que está acontecendo, principalmente o fenômeno Venezuela.

Já me encantei logo de início, pois a protagonista é uma engenheira linda, íntegra, inteligente, idealista, maravilhosa. Como a obra foi escrita na década de 1950, apesar da história se passar em um futuro indefinido, toda a estética e o pano de fundo vem desse período: músicas, roupas, cenários, hábitos, tecnologias. Viajei de verdade na trama junto com Dagny Taggart, a heroína tudo de bom.

Dagny é neta do fundador da maior rede ferroviária dos EUA, a Taggart Intercontinental. Ela só tem mais um irmão, que é um perfeito idiota. A moça estudou engenharia e é inteligentíssima; dá um show de criatividade para continuar operando as linhas de trem apesar das dificuldades que seu irmão (que não entende nada do assunto) cria, junto com seus amigos empresários e políticos.

O livro é extremamente maniqueísta e Ayn Rand, a autora, deixa bem claro quem são os mocinhos (empreendedores, ousados, criativos, disruptores, que fazem o mundo andar) e quem são os bandidos, os supostos “homem de bem (que só pensam no povo, nos direitos, no bem da humanidade, nos pensamentos mais elevados, porém não produzem nada). A maior preocupação dessas almas elevadas que desprezam o lucro (verdadeira maldição) é distribuir o resultado de quem de fato produz. Criam todo o tipo de problema possível para quem realmente quer trabalhar, com os argumentos mais descabidos, mas sempre em prol da igualdade de oportunidades.

Por exemplo: os trens da Taggart podem viajar a 160 km/h e as composições podem ter mais vagões por causa da tecnologia usada em seus trilhos; isso é injusto para os concorrentes, que não têm essa vantagem. A fim de promover a igualdade e impedir que apenas uma empresa lucre, a solução que os justos e coerentes “homens de bem, que, infelizmente, ignoram matemática básica, é limitar a velocidade e o número de vagões para todas as companhias. Se uma siderúrgica está produzindo muito e comprando outras unidades, então alguém tem que impedir o lucro enorme que seu proprietário vai ter. A solução é proibir que uma empresa tenha mais de uma fábrica e obrigá-la a vender as demais, a preços que o governo define, para, é claro, outros “homens de bem”. Como eles não sabem operá-las, a produção cai, e a concorrência “injusta fica muito evidente. Solução? Limitar por lei a produção, para que possa haver igualdade de oportunidades para todos. Se os donos das empresas reclamarem, é porque são egoístas. É claro que podem arcar com o prejuízo e lucrar um pouco menos, pois são empresários; então, por definição, nadam em dinheiro. Bom, você pegou a ideia, né?

Dagny tenta manter a ferrovia funcionando para transportar carvão, alimentos, máquinas, pessoas e tudo o que é necessário para as coisas andarem, mas os “homens de bem que estão no poder que só pensam no povo, resolvem desviar trens para transportar uma produção alternativa de toranjas de uma pessoa muito boa (coincidentemente amiga de alguns políticos) e que não visa o lucro; por isso, tem prioridade.

O que acontece é que as empresas começam a falir uma a uma. As pessoas competentes também não querem mais trabalhar, pois ninguém mais pode ser demitido e o salário é pago pela necessidade, não pela produção. Eis que os competentes viram escravos dos “necessitados, cujas necessidades crescem infinita e exponencialmente. As pessoas começam a se odiar mutuamente, o país entra em colapso. Falta aquecimento, falta comida, mas falta, mais que tudo, perspectivas. Os representantes do governo que assumem as empresas para promover a igualdade chegam a roubar material de estoque para vender no mercado negro (coitados, eles não têm competência técnica e nem inteligência acima da média, então são obrigados a se virar como podem). Trens deixam de circular por falta de pregos, o trigo apodrece nas ruas por falta de transporte, pessoas morrem de frio por falta de carvão para o aquecimento. Mas tanto a imprensa quanto a sociedade têm certeza que a culpa é dos industriais ganaciosos que só visam o lucro e não são capazes de pensar num mundo mais justo.

Ayn Rand escreveu a obra para mostrar sua linha filosófica voltada ao liberalismo econômico; há páginas inteiras com discussões bem profundas a respeito do valor do dinheiro e do trabalho, do conceito de igualdade, e do papel de cada pessoa na sociedade. Mas a trama de pano de fundo não fica devendo em nada a um romance convencional com aventuras, riscos, traições, paixões, festas, crimes e tudo que faz o leitor ficar grudado até a última página.

Sobre a teoria, ela é um pouco radical, claro, pois é uma teoria, mas em linhas gerais achei muito interessante esse ponto de vista. Os personagens principais são tão completamente racionais que fariam o Dr. Spock se achar um sentimental incorrigível, então é preciso dar um desconto. Mas acredito que com um pouco de equilíbrio, pode ser um caminho e reflete algumas das coisas nas quais acredito. Promover a igualdade de oportunidades é importante sim, mas, como dinheiro não cai do céu e governo nenhum produz riqueza, incentivar (e não atrapalhar) o empreendedorismo é fundamental.

Ayn é bastante assertiva com relação ao liberalismo porque nasceu no leste europeu e viu seu país e o pequeno negócio de seu pai (um armazém) ser totalmente arruinados pelo governo comunista. Quando emigrou para os EUA e viu outras possibilidades, desenvolveu uma linha de pensamento apoiada em seus estudos, claro, mas com forte influência de sua experiência pessoal.

Em tempos de Netflix sei que vai ser difícil convencer alguém a mergulhar nas 1.227 páginas; vi que já fizeram mais de um filme, mas duvido que tenham prestado, pois colocar a compexidade da trama e da história em, no máximo, 3 horas, é muito complicado.

Minha sugestão: faça um esforço para começar a ler. Você vai ver que, no máximo em duas semanas já terá devorado tudo e terá ficado com saudades dos personagens e da história, além de ter adquirido uma visão muito mais ampliada das teorias econômicas.

Vai por mim!

***

NOTA: Atlas é aquele titã da mitologia que carrega o mundo nas costas, como, na obra de Rand, os inovadores, produtores, empreendedore; por isso o nome do livro.

 

Criatura

Nem li direito a quarta capa para saber a história; confesso que, nesse caso, comprei o livro por causa do título: “Das Wesen” (tradução livre: “a criatura”). Daqui alguns meses ficará claro porque a palavra me chamou atenção, mas, por ora, vamos à obra.

O autor, o alemão Arno Strobel, trabalhava com tecnologia de informação em Luxemburgo, num grande banco, até que, aos 40 anos, resolveu começar a escrever thrillers. Esse é o quarto romance dele e fiquei curiosa para ler os outros.

A história começa com um comissário de polícia e seu parceiro recebendo uma chamada anônima denunciando o sequestro de uma criança. Eles vão até o endereço fornecido e, para a surpresa de ambos, encontram o médico psiquiatra condenado a 13 anos de prisão graças ao trabalho dos dois. Tinha sido o primeiro caso da dupla, há 15 anos.

Na época, Alex Seifert, que faz o narrador, conta que seu chefe, o comissário Bernd Menkhoff lhe deu uma bronca porque ele ficou muito emocionado em ver uma criança morta pela primeira vez. Bernd deixou claro que o trabalho exigia cabeça fria para não perder os detalhes; um erro e o criminoso poderia escapar. O tal psiquiatra, dr. Lichner, principal suspeito, era casado com uma mulher tão bela quanto calada e misteriosa. Ela acabou ajudando nas investigações e, depois do médico condenado, acabou ficando dois anos num relacionamento com Menkhoff. Ele tinha certeza absoluta da culpa do médico e fez de tudo para conseguir provas para condená-lo. Seu parceiro e subordinado, Alex, torturou-se por anos na incerteza de ter tomado a decisão mais correta, apoiando incondicionalmente seu chefe. Será mesmo que o tal médico era culpado? Menkhoff, apesar de experiente, parecia tão alterado naquela época. Cabeça sempre quente, nervos à flor da pele, o completo oposto à frieza de raciocínio que cobrou do colega novato.

Nessa chamada anônima, acabaram descobrindo que o psiquiatra estava sendo acusado de sequestrar a própria filha, que eles nem sabiam que existia. As investigações vão se desenrolando e Alex fica cada vez mais desconfortável com a ideia de que o médico possa ter sido condenado injustamente. Os parceiros descobrem que ex-muher dele, Nicole, também era sua paciente e tinha uma história de vida muito complicada.

Para quem gosta de ler policiais, não dá para dizer que o final é surpreendente; mas que é muito bem escrito, com certeza é.

Recomendo fortemente e vou já ficar atenta aos outros livros dele. Muito bom.

PS: Wesen normalmente é uma palavra usada para caracterizar criaturas ou seres não-humanos, mas, no livro, o psiquiatra a utiliza na forma mais ampla, que é a designação de ser, ente, vivente. Ele afirma, em mais de uma oportunidade, que é preciso conhecer a natureza dos seres. Daí o título.

Top 10 de fevereiro: fim de inverno

Fevereiro foi curtinho, mas deixou muitas imagens bacanas. Teve neve, mas também teve sol e dias lindos, cheios de cor. Vamos fazer um balanço?

Escolha aí a que mais você gostou.

#paracegover Descrição para deficientes visuais: A imagem mostra uma das margens de um canal do rio Spree. Há uma luminária, um banco, árvores sem folhas e o chão coberto de neve. Faz frio. — at Derag Hotel und Living Grosser Kurfuerst Berlin.
1. No começo do mês, a paisagem ainda estava assim, toda branquinha e melancólica. #paracegover Descrição para deficientes visuais: A imagem mostra uma das margens de um canal do rio Spree. Há uma luminária, um banco, árvores sem folhas e o chão coberto de neve. Faz frio. — at Derag Hotel und Living Grosser Kurfuerst Berlin.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma rua onde passam pessoas, carros e ciclistas. Tudo, incluindo o poste de iluminação, o céu nublado e as árvores sem folhas, está refletido na poça d'água em primeiro plano. — at Gneisenaustraße.
2. Chuva, muita chuva foi o que teve esse mês. Mas teve também espelhos naturais bem inspiradores, como esse aqui! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma rua onde passam pessoas, carros e ciclistas. Tudo, incluindo o poste de iluminação, o céu nublado e as árvores sem folhas, está refletido na poça d’água em primeiro plano. — at Gneisenaustraße.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o rio Spree visto de cima de uma ponte. Na margem esquerda, os prédios dourados pela luz do sol são refletidos na água. — at Gotzkowskybrücke.
3. Falando em espelho natural, o que é isso, minha gente? São Pedro, quando quer, faz um trabalho bem caprichado! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o rio Spree visto de cima de uma ponte. Na margem esquerda, os prédios dourados pela luz do sol são refletidos na água. — at Gotzkowskybrücke.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma estação de trem vista por dentro. Há uma pessoa na plataforma vazia, consultando seu celular. A luz do sol faz com que os prédios ao fundo fiquem dourados. — at Berlin Jannowitzbrücke station.
4. E essa luz maravilhosa no fim do túnel? Há esperança, sim senhor! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma estação de trem vista por dentro. Há uma pessoa na plataforma vazia, consultando seu celular. A luz do sol faz com que os prédios ao fundo fiquem dourados. — at Berlin Jannowitzbrücke station.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma bicicleta encostada em uma parede cuja metade inferior é revestida de cerâmica verde musgo e a parte de cima estampada com grafite hiperrealista representando girassóis gigantes. A despeito das temperaturas negativas, nessa fachada é sempre primavera... — at Berlin Hiddenseerstrasse.
5. Desconheço criatura que não ame girassóis; é a miss Simpatia das flores…rsrs #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma bicicleta encostada em uma parede cuja metade inferior é revestida de cerâmica verde musgo e a parte de cima estampada com grafite hiperrealista representando girassóis gigantes. A despeito das temperaturas negativas, nessa fachada é sempre primavera… — at Berlin Hiddenseerstrasse.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o rio Spree visto de uma das margens em pleno crepúsculo. A luz é de tirar o fôlego... — at Kaiserin-Augusta-Allee.
6. A pessoa vai trabalhar e tem que passar por isso. Ninguém merece…rsrs.. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o rio Spree visto de uma das margens em pleno crepúsculo. A luz é de tirar o fôlego… — at Kaiserin-Augusta-Allee.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um dos prédios do Instituto Fraunhofer de tecnologia vista da outra margem do rio Spree. Um par de cisnes compõem o cenário sob a luz dourada do sol. — at Kaiserin-Augusta-Allee.
7. Essa luz dourada que faz tudo virar ouro é uma das coisas mais lindas do mundo, na minha opinião. Pena que os cisnes acharam que iam ganhar cachê, mas esqueci de levar pãozinho para os fofos, que ficaram bem decepcionados. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um dos prédios do Instituto Fraunhofer de tecnologia vista da outra margem do rio Spree. Um par de cisnes compõem o cenário sob a luz dourada do sol. — at Kaiserin-Augusta-Allee.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem caminhando com um carrinho de bebê. Ao fundo, uma parede toda grafitada com um grande beijo pink em destaque. — at Gabriel-Max-Straße.
8. Depois da barba, carrinho de bebê parece ser a moda mais cool aqui em Berlin para os homens. Tendência das boas! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem caminhando com um carrinho de bebê. Ao fundo, uma parede toda grafitada com um grande beijo pink em destaque. — at Gabriel-Max-Straße.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma ponte na parte de trás do Castelo de Charlottenburg. O lago embaixo dela está congelado. A vegetação tem apenas galhos. Muitas pessoas caminham sobre a ponte. O dia está lindo (mas a foto é do final de semana; hoje está bem nublado). — at Schlosspark Charlottenburg.
9. Lago congelado em dia de sol é foto bacana garantida. Acho que deve ficar boa até se clicar de olho fechado…rsrs #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma ponte na parte de trás do Castelo de Charlottenburg. O lago embaixo dela está congelado. A vegetação tem apenas galhos. Muitas pessoas caminham sobre a ponte. O dia está lindo (mas a foto é do final de semana; hoje está bem nublado). — at Schlosspark Charlottenburg.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a praça central do Sony Center, em Berlim. O piso de granito preto reflete a arquitetura desenhada em concreto, aço e muito vidro. — at Sony Center.
10. Essa foi a última foto do mês e uma das mais coloridas. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a praça central do Sony Center, em Berlim. O piso de granito preto reflete a arquitetura desenhada em concreto, aço e muito vidro. — at Sony Center.