Gastrofísica

Você não conhecia essa palavra? Nem eu!

Gastrofísica é um termo que define uma ciência nova que estuda os fatores que influenciam nossa experiência multissensorial enquanto comemos ou bebemos. 

Ela foi cunhada pelo psicólogo experimental e professor da Universidade de Oxford Charles Spence. Ele conta que nem a gastronomia, nem a ciência sensorial e nem a neurogastromia oferecem uma explicação satisfatória sobre como e porque a gente reage e se comporta enquanto come e bebe. 

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EU, ADA

Ada Lovelace é uma personagem ímpar na história, e mais ímpar ainda na história das mulheres nas ciências.

Eu conhecia um pouco da história dela e depois pesquisei mais para fazermos um episódio sobre a moça no canal do Youtube Berlim Tech Talks (clique aqui para assistir). Por isso, quando estava flanando numa livraria e vi “I, Ada”, de Julia Gray, publicada esse ano, não tive dúvida em levar o volume para casa. 

A obra conta a história em primeira pessoa; começa com a pequena Ada, aos cinco anos de idade, brincando no jardim. A trama se desenrola até os 19 anos da moça e a pesquisa extensa da autora preenche algumas lacunas de informação que eu ainda não tinha.

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A startup de Gutenberg

Há algumas semanas estive em Mainz, numa das experiências mais legais da minha vida: visitei o Museu Gutenberg, instalado na casa onde morava o homem que inventou os tipos móveis e revolucionou a comunicação no planeta. As fotos e o relato estão aqui.

Pois achei, na lojinha do museu, um romance de uma jornalista britânica especialista em prensas móveis, publicado em 2014, que conta a epopéia por trás dessa grande invenção. O livro é “Gutenberg’s apprentice”, de Alix Christie.

Achei (penso que a autora também) que estivesse diante de um romance histórico. Também, mas não só. 

É um livro sobre empreendedorismo tecnológico e inovação com todos os ingredientes necessários: o desafio de desenvolver uma tecnologia inovadora; a dificuldade de encontrar investidores; o custo e o tempo que sempre superam as estimativas; os clientes que desistem em cima da hora, depois de um amplo investimento em matéria prima; as relações políticas e de poder, imprescindíveis para o sucesso do negócio; a resistência do mercado ao novo; a preocupação com o segredo industrial; as frustrações, a falta de dinheiro e o desânimo antes do grande boom. Está tudo lá. 

E, olha, não quero dar spoiler, mas o final foi bem inesperado para mim…

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Duas irmãs

Pensa numa pessoa que domina a arte do suspense e das histórias de crime. Anote aí: Mo Hayder. Essa britânica, de quem já tinha lido Tokio, é mestre em escrever histórias macabras e muito bem costuradas.

Em Hanging Hill, ela conta a história de duas irmãs cheias de traumas e separadas pelos próprios pais que acabam se reencontrando por conta de um crime: o assassinato bárbaro de uma adolescente.

Sally é a dona de casa boazinha e rica que se vê subitamente abandonada pelo marido e tendo que trabalhar como faxineira para sobreviver. A menina assassinada era amiga de sua filha.

Zöe é uma policial competente, independente, que viajou pelo mundo sozinha numa motocicleta, e está investigando o crime.

Depois de décadas sem se verem, apesar de morarem ambas na pequena Bath, elas acabam se vendo obrigadas e resolverem uma situação complicadíssima juntas. Questão de vida ou morte.

A autora escreve capítulos curtos, cheios de ação e suspense, mas nem por isso constrói personagens superficiais. Essa história tem tantas reviravoltas que consegue mudar tudo faltando apenas 5 páginas para acabar.

Não perca, se tiver oportunidade de ler. E guarde esse nome: Mo Hayder.

O povo contra o PPT: será que o curso vale a pena?

Os bastidores

Gente, olha que tudo: eu fui paga para ASSISTIR a um curso sobre como fazer apresentações lindonas! Já pode começar a usar uma camiseta com os dizeres “essa pessoa venceu na vida”?

Peraí que vou contar como foi. O Flávio Reis, sócio da La Gracia, empresa que conheço há anos de São Paulo, me pediu um orçamento para fazer um testemunho de um curso deles (fiquei me sentindo “a influencer“…rs). 

Apesar de conhecer o histórico seríssimo da empresa, fui obrigada a dizer que não faço esse trabalho por um motivo muito simples: se eu não gostar, não consigo fingir. Não tem como prometer falar bem de uma coisa que não sei se vou admirar (e quem me segue sabe como sou chata no último com avaliações).

Minha proposta: como o assunto me interessava, ele poderia liberar o curso para eu fazer. Se gostasse, falaria bem para todo mundo. Se não gostasse, falaria mal, mas só para ele…rs. 

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A prensa que mudou o mundo

Foi muita emoção num dia só. Para quem ama livros, visitar o Museu Gutenberg em Mainz é um marco (fachada na primeira foto). Fico emocionada só de lembrar das coisas que vi! O museu foi totalmente reformado e reabriu há dois meses. Ele não se limita mais a contar a história da prensa que revolucionou a comunicação humana possibilitando a impressão em escala; agora a curadoria apresenta a história da comunicação como um todo, incluindo a internet. 

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The power

Imagine o seguinte: num belo dia, uma adolescente descobre que pode gerar choques elétricos só pela força do pensamento; pode criar arcos entre as mãos; pode até eletrocutar alguém, se quiser. Depois de um tempo, todas as mulheres, de todas as idades, passam a ter o mesmo poder. Instigante, não? Pois foi isso que a escritora britânica Naomi Alderman, imaginou e transformou em ficção especulativa.

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Seria você um líder 5.0?

Recebi uma demanda para fazer alguns vídeos sobre o Líder 5.0 (que bom, há empresas que continuam investindo forte na equipe!) e me dei conta que o livro que deu origem ao termo, Good to be Great1, do Jim Collins, já estava na minha lista de resenhas a serem feitas há meses (a pilha só faz crescer!). Bem, não vai ser dessa vez ainda que vou resenhar o livro, pois vamos falar aqui apenas de um dos conceitos apresentados: esse tal de Líder 5.0!

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O QUE FAZER QUANDO AS MÁQUINAS FIZEREM TUDO?

Malcom Frank, Paul Roherig e Ben Pring são três futuristas sócios de uma empresa de consultoria sobre o futuro do trabalho que dedicam suas carreiras a encontrar respostas para a pergunta do título desse artigo. E elas estão muito bem organizadas e fundamentadas no livro “What to do when machines do everything: how o get ahead in a world of AI, algorithms, and big data”. 

Já de início, os autores deixam claro que as perspectivas apresentadas não são para daqui a 25 anos, quando tudo poderá se modificar radicalmente; o trabalho é mais para orientar empresas e profissionais para as ações nos próximos cinco anos, quando ainda é possível fazer planos com algum realismo.

Eles ressaltam que a gente sempre subestima as mudanças que irão ocorrer nos próximos dois anos e superestima as dos próximos dez anos.

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O que um romancista tem a nos dizer sobre ciência

A primeira vez que vi um romance do Ian McEwan foi no cinema, no filme Reparação. Achei-o tão sensível, belo, instigante, que fui procurar outras obras dele (aquela já não dava mais; depois de ver o filme, não consigo ler o livro — minha mente já está contaminada com a visão do diretor).

Então li o belíssimo Na praia que narra um casal em lua de mel e seus silêncios mal entendidos. Depois Solar, na minha opinião o mais genial de todos, em que um ganhador do prêmio Nobel de física vive às custas da fama sem produzir mais nada de útil. Também entrei no cotidiano de um médico neurologista em Sábado, uma estranha família de crianças no Jardim de cimento, meti-me na briga de dois jornalistas em Amsterdam e por último levei um robô humanoide para casa em Máquinas como eu

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