Manual para criar viciados

Sim, é isso que você leu no título. Os autores de “Hooked: how to build habit-forming products” (tradução livre: “Viciado: como construir produtos que formam hábitos”), Nir Eyal e Ryan Hoover, pesquisaram arduamente e descobriram o que faz a gente se viciar em alguns produtos de tecnologia e ignorar outros. 

Eles lembram, por exemplo, que 79% dos smartphones são checados no máximo 15 minutos depois que a pessoa acorda de manhã cedo. E pasme: 33% dos americanos dizem que preferem ficar sem sexo do que sem seus brinquedinhos. Estima-se que, em média, as pessoas consultam seus aparelhos cerca de 150 vezes por dia! Se isso não é um vício, difícil dizer o que seria.

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Gent: surpresa maravilhosa!

Uma amiga que mora em Antuérpia já havia me dito que preferia Gent a Bruges. Hoje entendi o porquê. Bruges é linda, mas não parece de verdade; é como um parque temático com o cenário perfeito e suas hordas de turistas.

Gent também tem muitos visitantes, mas parece uma cidade de verdade, onde mora gente. O centro histórico é como uma viagem no tempo; e a viagem continua se a gente se afasta um pouco e caminha pelas ruas vazias. Peguei chuva, o sol saiu só um pouquinho e a luz não ajudou as fotos. Mesmo assim, que cidade! 

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Bruges: nem parece de verdade…

Bruges é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2000 e, olha, título mais que merecido. A cidade, nascida em 1128, é cheia de construções dos séculos XVI e XVII. Tão bem cuidada que parece um cenário de filme de época. Na verdade, fiquei mesmo foi com a impressão de que ela se transformou num parque temático, dada a quantidade assustadora de turistas entupindo todos os lugares.

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Um passeio por Leuven

É uma cidade universitária a 30 km de Bruxelas cheia de centros de pesquisa onde tive a oportunidade de passar o final de semana. Tem cafés maravilhosos, arquitetura belíssima e uma história muito interessante. Do século XI a XV, Leuven foi o centro comercial da província, e a riqueza aparece nos seus prédios, principalmente a prefeitura.

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Inovação na Ásia e na Alemanha

Hoje participei da Asia Pacific Berlin Week : Conference on Innovation, evento patrocinado por um projeto de cooperação entre os países asiáticos da costa do Pacífico e a Alemanha. 

Para quem estuda inovação há tempo, não tinha muita coisa nova, mas foi bom para ver que as informações que estou compartilhando em palestras, textos e vídeos estão perfeitamente atualizadas. 

A primeira palestra, de Ruo-Mei Chua, uma consultora baseada em Singapura, falou sobre o que as empresas precisam para continuar relevantes no mercado. Basicamente o que sempre falo nas minhas palestras sobre inovação: a ênfase na empatia e na criatividade do ser humano. Aliás, ela fechou com uma frase de Li Kai Fu que achei ótima: “Deixe os robôs serem robôs, e os humanos, humanos”. 

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As origens da frustração

Meu faro não engana. Devia ter prestado mais atenção na minha intuição, mas resolvi ignorar todos os sinais.

Meus principais critérios para escolher livros quase sempre dão certo: capa (sim, sou dessas), título, autor, editora, resenha na quarta capa, nessa ordem. Por que a capa é mais importante? 

Minha teoria (que poucas vezes me deixa na mão): se a capa é boa, significa que o designer leu o livro, gostou e se esforçou por comunicar a ideia. A editora investiu num bom profissional para fazer isso e a obra passou pelo crivo de gente competente no seu ofício.

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sobre heróis…

Estava aqui fazendo palavras cruzadas em alemão e me dei conta de como o modelo mental também é diferente.

A palavra tinha que descrever o contrário de herói (Held). Tudo o que tentei não encaixava; procurei sinônimos para vilão, bandido, criminoso, assassino… nada dava certo.

Desisti e fui fazendo as outras, até que tudo se encaixou.

O contrário de herói não é vilão. 

É covarde (Feigling).

Reflitam.


A tarde sabe de coisas…

Daniel Pink é um escritor que acompanho há alguns anos, desde “A revolução do lado direito do cérebro”. Assim, não poderia deixar passar batido “When: the scientific secrets of perfect timing” quando o vi numa livraria de aeroporto.

Pink reuniu estudos científicos sobre os padrões de comportamento dos humanos em relação ao tempo (na verdade, a discussão toda é sobre timing, mas não sei como traduzir essa palavra para o português). 

O autor começa explicando que há padrões de comportamento facilmente identificáveis com a ajuda da tecnologia sobre as decisões que tomamos em relação aos horários do dia. E começa apresentando uma análise feita com o auxílio de inteligência artificial que analisou 500 milhões de tweets publicados por 2.4 milhões de usuários de 84 países em um período de dois anos. A ideia era identificar os efeitos positivos (entusiasmo, confiança, nível de alerta, etc) e efeitos negativos (raiva, letargia, culpa, etc). Os resultados são impressionantes. Independente se quem escreveu o tweet era norte americano, asiático, muçulmano, ateísta, negro, branco, homem ou mulher, o padrão era claro: o humor positivo aumenta pela manhã, reduz consideravelmente à tarde e volta a crescer no início da noite. As pessoas sentem-se mais felizes ao longo da manhã e menos felizes à tarde. À noite, as coisas começam a melhorar novamente. É claro que esse é um padrão estatístico (antes que alguém aí diga que não é bem assim).

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WTF?

Eu me lembro muito do nome Tim O’Reilly porque a editora dele foi responsável pela publicação da maioria dos livros de programação e tecnologia da informação que li e consultei na vida. Nos anos 80, 90 e 2000, quase toda a literatura da área vinha dessa que foi a primeira grande editora especializada no assunto que se tem notícia.

Daí que esse senhor, que carrega praticamente toda a história da computação e da informática (ainda se chama assim?) nos ombros, resolveu publicar um livro não técnico, falando sobre como ele imagina que será o futuro.

Uma das grandes sacadas é o próprio nome: “WTF: What’s the future and why it’s up to us” (Tradução livre: “WTF: Qual é o futuro e porque ele depende de nós“). É que WTF é uma expressão em inglês que significa “What The Fuck?”; em português penso que a tradução que mais se aproxima é “Que porra é essa?”. Pois ele usa WTF como acrônimo de “What the Future?“, (que, no final das contas, significa, usando um pouquinho de humor e licença poética, quase a mesma coisa…rs). Continue reading “WTF?”